Cotidiano

Bolsonaro ironiza Coronavac após divulgação de novos dados de eficácia da vacina; “essa de 50% é uma boa?”

O Instituto Butantan comunicou na terça-feira (12/1) que o resultado da eficácia geral da Coronavac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto e pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, atingiu 50,38%. A divulgação foi feita pelo secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e por integrantes do Centro de Contingência de combate ao coronavírus no Estado de São Paulo.

Um dia após a declaração, o presidente Jair Bolsonaro ironizou o imunizante brasileiro. Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, ele afirmou na manhã desta terça-feira (13/1) que “a verdade” está aparecendo, mas não deixou claro ao que se referia. Um apoiador questionou ao presidente sobre a importância da vacina contra a Covid-19, que já vitimou mais de 200 mil pessoas no Brasil e, aos risos, Bolsonaro ironizou: “essa de 50% é uma boa?”

Ele ainda insinuou que tem sofrido críticas injustas ao longo do processo. “O que eu apanhei por causa disso… agora estão vendo a verdade. Estou quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu [sic] e a vacina tem a Anvisa. Não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja”, finalizou.

Embora a declaração apresente cunho negacionista, Bolsonaro reiterou que o governo federal comprará qualquer imunizante que tenha o registro aprovado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que promete emitir um parecer final sobre a liberação para o uso da Coronovac no próximo domingo (17/1). O Ministério da Saúde já assinou um contrato para comprar 46 milhões de doses da vacina do Butantan.

Apesar de o percentual, que trata da eficácia geral do produto, apontar que 50% das pessoas imunizadas têm chance de pegar a doença, mas sem sintomas, que 22% teriam sintomas considerados leves e que nenhuma pessoa teria sintomas graves, chamou bastante atenção o fato de os números serem diferentes dos apontados por outros países, como os 91% na Turquia e 63,5% na Indonésia.

Mesmo eficácia inferior em relação a vacinas como as da Pfizer (95%), Moderna (94,1%) e Astrazeneca (70%), a taxa de imunização é superior aos 50% recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). “Os dados [apontam] uma vacina absolutamente segura, uma vacina que mostrou a sua imunogenicidade, a sua capacidade de produzir anticorpos que neutralizam o vírus. E também mostra a sua eficácia”, afirmou Gorinchteyn.

Aratu

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