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“Quanto melhor meu rival, mais eu treino”, diz Robson Conceição

Robson encara neste sábado, 10, sua 16ª luta como profissional, em Oklahoma, nos EUA, contra o mexicano Jesus ‘La Cobra’ Ahumada, de 22 anos. A série invicta de 15 lutas até agora faz parte da escalada que ele vem fazendo em busca do cinturão mundial dos penas. Nesta entrevista aoA TARDE, Robson fala de temas amenos, a leveza de contar com a família, principalmente a mulher e ex-boxeadora Érica, e as filhas Stephanie e Sophia. O baiano deveria ter disputado o título contra o mexicano Emanuel Navarrete, dono do cinturão dos penas da Organização Mundial de Boxe, mas este não aceitou enfrentar o brasileiro. Na falta de um acordo, Conceição decidiu voltar aos ringues ainda sem valer título. Mas com o cinturão como grande objetivo.

Quais são as suas maiores alegrias na vida?

Ver minhas filhas, Sophia e Stephanie, felizes. Ter forças para lutar e sempre trazer o melhor pra elas. Enfim, ver a minha família feliz.

Então, nas horas em que não está treinando, sua ocupação predileta é a família?

Com certeza. Fora dos treinos ,procuro sempre aproveitar minhas pequenas. Gosto muito de sair com elas, ir para praças com parquinho, praia, fazer piquenique. Nessa pandemia, eu tenho feito mais atividades em casa, onde às vezes faço algumas comidas e cuido do jardim na frente de casa.

Há muitas mulheres em sua história de superação. A mãe, Márcia, sua avó, Neuza, a esposa, as filhas…

Eu tenho o privilégio de ser cercado por essas mulheres maravilhosas, que me dão uma motivação imensa por elas serem assim, guerreiras. Me fazem feliz e me inspiram a lutar.

De vez em quando você relembra aquela sua vida de garoto vendedor de frutas e de picolé em Salvador?

Sempre me lembro disso. Não tem como esquecer as minhas origens. Elas são uma motivação sempre presente. Minha força vem desses trabalhos que fazia na minha infância.

Você era bom vendedor? Prestava contas à sua avó?

Eu era o melhor vendedor de frutas e verduras. Minha avó nunca foi durona comigo. Foi sempre flexível, até porque eu não fazia por obrigação. Fazia porque tinha vontade de ajudá-la e isso a deixava orgulhosa.

Até agora qual foi a sua fase mais complicada da carreira e qual a mais marcante em termos de conquistas?

As cirurgias que fiz nas duas mãos foi um momento muito difícil. Ficar longe do ringue, dos treinos. Experimentar também a falta de incentivo e apoio dos nossos governantes. Eu represento Salvador, a Bahia, com tanto amor e não tenho um reconhecimento. Agora, um momento muito feliz na minha carreira foi a conquista da primeira medalha de ouro para o Brasil.

Quando Sophia fez dois anos, você cumpriu a promessa e deu a medalha de ouro a ela como presente de aniversário?

Com certeza. Foi uma promessa e a medalha é dela, porém, tem que ficar guardada pelo fato de ser uma coisa muito valiosa. Vira e mexe pego a medalha para fazer uma limpeza.

Como você recebeu a suspensão da luta contra o mexicano Emanuel Navarrete, que seria pelo título mundial dos penas?

Foi uma notícia ruim. Porém, eu não sou de me abater assim tão fácil. Sigo sempre firme em busca dos meus objetivos . Nem eu sei explicar o que houve para ele não aceitar a luta comigo.

Como foi a preparação para a luta com essa pandemia ? Precisou fazer algumas improvisações para ir treinar, devido aos protocolos de saúde?

Sim, todo cuidado nunca é demais. Durante essa pandemia, eu continuei a treinar forte em casa. Também trabalhei bastante na academia com (Luiz) Dórea. A academia é fechada, com todos os cuidados possíveis. Ainda me exercitei correndo na rua, em locais e horários tranquilos. Para a viagem, precisei fazer também o teste de PCR.

‘La Cobra’ tem apenas 22 anos, dez anos a menos que você. Alguma estratégia especial para encarar um jovem lutador, complicado como foi o anterior?

A cada luta, é uma dificuldade diferente. Gosto de enfrentar isso, de superar. Quanto melhores forem os meus adversários, mais eu treino.

Você tem esperança de que este ano possa disputar o título mundial dos super penas? Quem sabe até outubro, quando você fará 33 anos?

Eu e a minha equipe estamos trabalhando forte pensando nisso.

Você ainda tem como espelhos no boxe os lendários Floyd Mayweather, Manny Pacquiao e Miguel Cotto, que assim como você conquistaram medalhas olímpicas?

Eles são grandes inspirações, não tem como esquecer. Foram grandes atletas é isso gera admiração imensa.

Por: A TARDE

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