Economia

Mercado imobiliário continua em alta na Bahia

Mesmo em meio à maior crise sanitária da história do país, o setor de imóveis apresentou números animadores durante o primeiro trimestre de 2021. Foi o que revelou a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) na pesquisa divulgada em primeira mão durante o evento “Panorama Econômico 2021”, realizado de forma virtual nesta terça-feira (27) com apoio da ACT Investimentos, representante da XP na Bahia. Na comparação com o mesmo período de 2020, a Bahia registrou um aumento nas vendas de 31% nas unidades residenciais: foram 2188 negócios concretizados, contra 1667 alcançados no ano passado. Em Salvador, o aumento foi maior: as transações saltaram de 689 para 1044.

Mais lançamentos

“O boom imobiliário que nós vivemos foi fora das nossas expectativas”, afirmou Pedro Mendonça, diretor técnico da Ademi-BA. Para ele, o crescimento nas vendas aconteceu através de uma demanda represada por conta da pandemia. Os lançamentos realizados pelas incorporadoras favoreceram os números de forma significativa: até março deste ano, foram 1396 unidades residenciais lançadas na Bahia, um aumento de 41% em relação a 2020. Em Salvador, o número de lançamentos dobrou: se no ano passado foram 250, nos três primeiros meses deste ano já são 516 (+107%). O programa Minha Casa, Minha Vida, instituído pelo Governo Federal, ajudou a alavancar os negócios.

Novos recordes

Em Salvador, o subsídio representa 70% das unidades residenciais vendidas; as 30% restantes correspondem ao crédito imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Na Bahia, os percentuais são de 82% e 18%, respectivamente. “O mercado do (programa) Minha Casa Minha vida reagiu rapidamente”, analisou Mendonça. Ainda assim, Pedro sinalizou uma carência de unidades disponíveis no mercado. A expectativa é de que haja mais lançamentos para suprir a demanda, especialmente na modalidade SBPE, que “vende tudo e vende rápido”. O especialista acredita que será batido um novo recorde de vendas em 2021, se o ritmo de crescimento se mantiver nos níveis atuais.

Melhorias

Para Marcus Araujo, fundador da Datastore, a demanda por moradia não encolheu com o momento complicado atravessado pelo Brasil. No levantamento organizado pela companhia, notou-se que 12,5 milhões de famílias pretendiam comprar imóveis no começo da pandemia. Entre março e abril, quando foi declarado o estado de emergência sanitária mundial, a intenção despencou, e voltou a se aquecer a partir de julho. “A demanda imobiliária persiste”, declarou. Araujo acredita que o isolamento social teria motivado uma procura maior. “Não tem shopping, não tem jantar, então não se gasta com nada. Então, o cidadão vai melhorar o lugar onde ele está”. Mensalmente, 82 mil famílias possuem interesse em adquirir imóveis; se esta média continuar, o mercado imobiliário poderá se deparar com a demanda mais alta da história do Brasil. “A perspectiva é de termos um ano melhor do que o de 2020”.

Mudanças

O CEO da Datastore acredita numa nova tendência de moradia: a re-interioralização. Com a adaptação ao trabalho e estudo remoto, mais de um milhão de famílias considera sair das grandes cidades, e 802,3 mil pessoas que residem temporariamente nas regiões litorâneas desejam fazer uma morada permanente. Este público que anseia por morar longe das aglomerações urbanas, seja por uma melhor qualidade de vida ou com a perspectiva de permanência de circulação do novo coronavírus, representa 15,6% dos interessados em adquirir imóveis. Apesar disso, as cidades ainda são a maior demanda do mercado imobiliário: 84,6% das famílias pretendem se adaptar ao “novo normal” e permanecer onde estão.

Por: Tribuna da Bahia

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