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Aumento de presença da variante Delta nas amostras acende alerta na Sesab

O combate à pandemia do novo coronavírus na Bahia continua sendo um desafio para os gestores e profissionais da linha de frente, sobretudo com o surgimento de novas variantes. A cepa Delta, que levou mais tempo para chegar ao Estado por conta das medidas de proteção à vida e dos progressos na campanha de vacinação, começou a ter mais força nas últimas semanas. O último sequenciamento feito pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta quinta-feira (21) mostrou um dado preocupante: das 55 amostras de pacientes com sintomas da Covid-19 analisadas, todas indicaram a presença da Delta. Arabela Leal, diretora do Laboratório Central de Saúde Pública Gonçalo Moniz (Lacen-BA), disse que a unidade continua com o monitoramento, sobretudo nas regiões onde houve aumento de casos.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) identificou 190 contaminações provocadas pela variante, que se transmite de forma mais rápida e atingindo mais pessoas. Por aqui, três pessoas perderam a vida por conta de complicações causadas pela Delta, com um mês de intervalo entre cada confirmação. Ontem, a pasta registrou que um senhor de 67 anos residente de Pintadas não resistiu à doença; não há informações sobre comorbidades e ele não recebeu nenhuma das doses da vacina. Em setembro, um homem de 45 anos parcialmente vacinado morreu em Senhor do Bonfim. A primeira morte aconteceu em agosto, quando um passageiro de 41 anos que viajava num navio de bandeira dos Estados Unidos sem ter se imunizado foi diagnosticado com a cepa Delta. Nos casos identificados, a duração entre os primeiros sintomas e o desfecho fatal foi de aproximadamente um mês.

Tereza Paim, titular em exercício da Sesab, reconhece que os resultados são um sinal de alerta e diz ter ampliado os sequenciamentos para identificar a presença da variante. “Nós sabemos que ela se espalha muito rápido. Hoje, ela é quase 100% predominante, seja ele (o sequenciamento) aleatório, seja na UTI ou em óbito. E isso nos preocupa”, afirmou. Com a vacinação progredindo, mais pessoas saem às ruas, mas é possível perceber que muitos já deixaram as medidas de prevenção pessoal de lado, acreditando que estão totalmente livres do vírus. A secretária alerta que não é bem assim, já que mesmo os vacinados podem contrair o Sars-CoV-2 e transmitir para outras pessoas. “A população não deve achar que já não temos mais o vírus. E isso que nós estamos usando, a máscara, nós precisamos manter”, declarou, lembrando que não-vacinados transmitem o vírus com maior rapidez e reforçando o apelo para que se compareça aos postos de saúde para receber a proteção.

A Fiocruz, responsável pelo sequenciamento atual, vê com preocupação os movimentos em apelo à realização de festas como o Carnaval e o Révellion em meio à cobertura vacinal ainda não suficiente para deixar os Estados em uma situação mais confortável, mesmo com a queda nos indicadores e na ocupação dos leitos de UTI. “Isso pode criar uma sensação equivocada de que é o momento de pensarmos numa abertura completa e irrestrita das atividades presenciais”, disse a fundação em seu boletim de conjuntura, alertando para os riscos que o aumento no fluxo de pessoas pode causar. Entretanto, ainda que a vigilância que o momento pede permaneça firme e forte, o pior cenário da disseminação da Delta ainda não se concretizou.

“Entre as hipóteses que poderiam explicar a ausência do cenário pessimista pode estar tanto a proximidade em relação aos picos recentes quanto a própria concomitância com o avanço gradual da vacinação, embora a cobertura de segunda dose ainda não esteja no patamar considerado ideal para a proteção coletiva”, justificou a Fiocruz. Nas próximas semanas, a tendência de crescimento das Síndromes Agudas Respiratórias Graves (SRAG) na Bahia deverá acontecer nas regiões Norte e Extremo-Sul; no restante do território, os casos devem vivenciar período de estabilidade, de acordo com o Infogripe, sistema de alerta gerenciado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Métodos Analíticos para Vigilância em Saúde Pública, que reúne o Programa de Computação Científica da Fiocruz e a Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Por: Tribuna da Bahia

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